Acabou a NRF 2026 e a gente precisa confessar: estamos com a cabeça girando.
Não por excesso de informação. Mas porque, dessa vez, os recados foram muito diretos. Sem rodeio. Sem aquele tom de “tendência futurista que um dia vai chegar”. O tom foi outro: ou você entende o jogo agora, ou vai ficar pra trás.
Carol Manciola, nossa correspondente na feira, fez uma cobertura completa em parceria com a HSM. Os principais pontos você lê agora mesmo:
O humano é o novo diferencial competitivo
Esse foi um dos fios condutores mais fortes do evento inteiro.
E não que seja grande novidade, mas ouvir isso em um dos maiores palcos do mundo reforça ainda mais a importância das empresas trazerem isso para o dia a dia.
A WGSN, que é referência global em tendências, trouxe uma mensagem necessária: prova vale mais que promessa. Confiança vale mais que conversão. E estamos vendo um movimento acontecer: enquanto a IA tá saindo da vibe de espetáculo e virando infraestrutura, a confiança está virando o ativo mais escasso – e mais desafiador das empresas alcançarem.
O mais óbvio, mas necessário ser dito: só o humano é capaz de construir confiança.

Cassandra Napoli, da WGSN, na NRF 2026 (Crédito: Taís Farias)
Mas não estamos falando do humano “fofinho”, aquele que a gente às vezes tem um certo preconceito. Estamos falando do humano que conecta. Com atenção, timing, escuta, presença, coragem de ser simples e real.
As marcas que estão se destacando não são as mais tecnológicas. São as que entendem que as pessoas estão com fome de sensorialidade e usam tecnologia pra tirar fricção, devolver tempo, sensação e cuidado.
Marca forte nasce de liderança intencional
Nos cases apresentados, como o da Coach e da Timberland, ficou claro que não dá mais pra apostar tudo em uma campanha heroica. Marcas fortes nascem antes: da liderança corajosa.
A Timberland, por exemplo, vinha de um período de perda de relevância cultural. E o que eles fizeram? Não lançaram mais uma campanha. Não aceleraram mídia. Voltaram pro essencial, com decisões duras de liderança.
Questionaram tudo que era sagrado: estrutura, portfólio, go-to-market, a forma como a marca se expressava no mundo. Em vez de tentar agradar todo mundo, reassumiram seu ícone e transformaram isso em estratégia.

Mindy Grossman, membro do conselho da VF Corporation, Caroline Brown, Nina Flood e Sun Choe, presidentes da The North Face, Timberland e Vans, respectivamente (Crédito: Amanda Schnaider)
Esse foi um case sobre a importância do walk the talk. Marca não é discurso. É comportamento coletivo sustentado por líderes que dão direção clara, fazem escolhas difíceis e transformam cultura em vantagem competitiva.
Ryan Reynolds e a coragem de ser verdadeiro
A palestra do Ryan Reynolds foi uma das mais esperadas. E surpreendeu.
Ele não falou de marca como quem vende um método. Falou como quem vive isso na pele. E jogou uma pergunta que deveria estar em toda reunião de marketing: “Alguém falaria isso numa mesa de bar? Se não, provavelmente não deveria estar numa campanha.”

Ethan Tandowsky, Diretor Financeiro da Adyen, e Ryan Reynolds, Ator e Empreendedor.
Ele lembrou que ser interessante costuma funcionar muito melhor do que tentar ser importante. E que tratar o público como inteligente não é um risco, é respeito.
Teve uma frase que deve ter embrulhado muita gente por lá: “Se a sua marca não aguenta humor, talvez ela também não aguente verdade. E se ela não aguenta verdade, dificilmente constrói vínculo.”
O recado foi claro: as coisas íntimas e reais tendem a ganhar das coisas fabricadas. O cliente sente o cheiro de enganação de longe, afinal, a gente também é cliente.
A disputa mudou. E mudou de verdade.
A disputa do varejo não é mais por market share. É por atenção, relevância e velocidade de decisão.
O Gary Vaynerchuk, que é uma sumidade no mundo das vendas, colocou o elefante na sala logo no terceiro dia. Ele disse que marcas estão em “day trading de atenção”. Ou seja, não existe mais estabilidade de marca. A atenção tem que ser conquistada o tempo todo.

Gary Vee, CEO da VaynerMedia
O algoritmo mudou. Antes, ele entregava conteúdo com base em quem você seguia. Agora, ele entrega com base no que você se interessa.
Não adianta organograma, verba ou histórico de marca se o conteúdo não é relevante agora. Quem ganha atenção hoje é quem entende contexto, interesse e timing, não quem grita mais alto.
Não é mais sobre volume. É sobre relevância no contexto certo, na hora certa, com criatividade validada pelo algoritmo, não pelo ego do board.
Quem não saiu dessa palestra incomodado, provavelmente não entendeu o recado.
Conteúdo não é mais peça. É comportamento.
Teve muita conversa sobre TikTok, creators e influenciadores. E o tom foi unânime: conteúdo de creator supera conteúdo de marca. Sempre.
A Sarah Henry, do Walmart, foi direta: isso não acontece por acaso. Acontece porque pessoas confiam mais em pessoas do que em campanhas.

Sarah Henry, do Walmart, Ashley Schapiro, da American Eagle, e Noah Gonzalez, da H&M Americas.
E o TikTok apareceu menos como canal de mídia e mais como motor de aprendizado em tempo real. Um espaço onde o funil não é linear, onde descoberta, desejo e conversão se misturam.
O mais interessante? O TikTok não recompensa controle excessivo. Marcas que entram tentando editar cada palavra, cada take, cada roteiro simplesmente não performam. Agora, as que deixam o consumidor criar, remixar e opinar? Aprendem mais rápido, erram mais cedo e acertam melhor.
O rolê é cada vez menos sobre roteiro e muito mais sobre flow.
Ninguém cresce sozinho
Outro tema forte foi a evolução das empresas para ecossistemas. Não como moda, mas como resposta estratégica.
Cases como CVS Health e Magazine Luiza mostraram isso com clareza. O que sustenta esses ecossistemas não é tecnologia isolada, é visão estratégica da liderança, cultura preparada pra operar em plataforma, e uma mudança de mentalidade: sair do transacional e entrar no relacionamento de longo prazo, com parcerias bem estabelecidas pra sustentar o longo prazo.
O varejo que prospera não vive só de transação. Constrói plataformas de relacionamento antes, durante e depois da compra.

Alberto Serrentino, Fundador da Varese Retail; Gui Serrano, Vice Presidente da CVS Health; Frederico Trajano, CEO da Magalu.
O que fica da NRF 2026?
Pra gente, essa edição foi menos sobre tendência e muito mais sobre maturidade de gestão. Foco, execução e relevância.
O recado foi simples, mas direto: liderar é escolher o que não fazer. Fazer escolhas coerentes, agir de forma consistente e ter coragem de mudar quando faz sentido, não só quando não existem mais opções.
Inovação não é sobre adicionar camadas de tecnologia. É sobre tirar excesso, ganhar clareza e tomar decisões melhores, com mais agilidade.
No fundo, tudo aponta pra uma coisa: as empresas que vão crescer são aquelas que conseguem oferecer continuidade, confiança e conexão no meio do caos.
E isso exige coragem. De entrar na conversa como gente, aceitar perder controle e aprender o tempo todo.
A NRF acabou, mas a conversa continua. Bora trocar ideia sobre isso tudo ao vivo?

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