Arquivos de Autor: Cezar Almeida

A nota do NPS é uma grande bobagem!

Fiquei hospedado em uma rede de hotéis que normalmente não fico e uma coisa me surpreendeu, mas não foi o atendimento. Interessante foi observar que tinha o cartaz a seguir, fixado nos quatro elevadores, que explicava a pesquisa de satisfação que seria enviada para os clientes após o check-out.

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Foto: Cezar Almeida (a imagem foi cortada para omitir o nome da empresa)

Eu já vi esse tipo de abordagem em outros lugares e o que eu acho engraçado é que normalmente não são empresas excelentes no atendimento. Imagino que este tipo de recurso, explicar a pesquisa ao cliente, seja uma tentativa de persuadi-lo a ser mais condescendente com a nota. Deve passar algo do tipo na cabeça dos gestores: “- Ah, o cliente deve achar que nota 7 ou 8 é uma nota boa, então precisamos explicar a ele que não”. Uma falácia esse argumento e esta muito enganado quem pensa assim.

A pesquisa de NPS (sigla que vem do inglês Net Promoter Score) não precisa ser explicada e é justamente essa a sua magia. Trata-se de fazer uma questão simples aos clientes: em uma escala de 0 a 10 qual a probabilidade de recomendar a sua empresa, produto ou serviço. Depois da nota, você pode perguntar também o motivo que aquela nota foi escolhida e ainda podem ser incluídas perguntas adicionais sobre etapas específicas do processo e da jornada do cliente.

Feito isso, você calcula a nota global de um determinado período da seguinte forma: você soma todas as notas 9 e 10, desconsidera os 7 e 8 e subtrai as demais notas. Isso porque, nesta abordagem do NPS, você classifica justamente os clientes em três tipos: os promotores (9 e 10), os neutros (7 e 8) e os detratores (0 a 6). Para saber mais sobre como funciona essa metodologia, tem vários artigos e vídeos disponíveis na internet.

Bem, uma vez feita a pesquisa, o que a empresa deve fazer sempre é olhar para essas respostas, comemorar e reconhecer as coisas boas e investir no que for preciso para aperfeiçoar a operação através de pessoas e processos melhores a cada dia.

Fixar explicação da pesquisa ou pedir que o cliente responda favoravelmente quando recebe-la, coisa que já fizeram comigo também, não melhora a empresa, o produto ou o serviço. Só tem chance, se é que tem, de melhorar a nota e uma nota melhor não agrega nenhum valor para as pessoas e para o negócio.

Então fica a dica: se sua empresa não esta obtendo a nota que você gostaria, invista em entender o porquê disso ao invés de explicar como funciona a pesquisa para o cliente. Invista em melhorar o serviço, o produto e o relacionamento com o seu cliente ao invés de querer melhorar a nota, até mesmo porque ela é consequência, não objetivo.

A nota do NPS é em si é uma grande bobagem! A experiência do cliente é a única coisa que importa.

Cezar Almeida

Especialista em liderança, é economista com mestrado em desenvolvimento regional e meio ambiente. Professor de cursos de MBA, treinador e palestrante, vem atuando em projetos de desenvolvimento de líderes e de experiência do cliente em importantes e influentes organizações do país.

O maior uso da IA em 2025: Terapia. Onde a humanidade se encaixa?

Recentemente, um dado da Harvard Business Review reverberou em um grupo de profissionais de gestão de pessoas do qual faço parte, e achei que era um assunto importante demais para não compartilhar por aqui. O texto de Izaque Fernandes, compartilhado com as impressões da querida Ana Cláudia Oliveira trazia uma previsão: Em 2025, o maior uso da Inteligência Artificial no mundo não será para programação, criação de conteúdo ou planilhas. Será para oferecer suporte emocional, seja via chatbots ou plataformas mais avançadas. Esse alerta, inclusive, já havia aparecido em algumas palestras na SWSX de março, de acordo ao comentário da própia Ana Claudia.

Essa discussão se ampliou e foi comentado que estamos vivendo uma epidemia silenciosa de saúde mental – solidão, ansiedade, depressão, burnout – em uma sociedade hiperconectada, mas paradoxalmente desconectada de relações humanas reais. O encontro entre essa demanda crescente por suporte emocional e a maturidade das IAs criou um cenário perfeito para esse fenômeno.

Preocupação e o “nó na cabeça”

A primeira reação é de preocupação, e não pode ser por menos. Este dado nos fizeram questionar para onde estamos indo. A dependência de respostas imediatas e a fragilidade das estruturas emocionais são um alerta real, como bem comentou a especialista Renata Castello Branco. É assustador pensar na IA entrando em um lugar tão sensível como a nossa mente e a nossa alma. “Nunca os filmes foram tão iminentemente reais”, alertou Sonia Costa. No geral, nossa discussão refletiu um sentimento de tristeza e a percepção de uma sociedade com carência afetiva e perda da qualidade das estruturas familiares, que são a base da sustentação emocional.

Uma Oportunidade Gigantesca para a Humanidade

Mas, ao mesmo tempo, enxergo uma oportunidade aqui. Se a busca por suporte emocional via IA vai ser o “maior uso” em 2025, isso escancara o tamanho da demanda reprimida por saúde mental que existe. O sucesso de vários profissionais que falam sobre o tema, como exemplo da Izabella Camargo com seu conteúdo de qualidade dos EPI’s da Saúde Mental, ou empresas como AfroSaúde, Zenklub, Wellhub, TotalPass Brasil são a prova disso. As pessoas querem e estão buscando ajuda também de profissionais qualificados e empresas que facilitam acesso à cuidados de saúde mental e bem-estar.

Penso que pode ser a chance dos profissionais das áreas de gestão de pessoas, saúde mental e, principalmente, líderes em geral de mostrar que nada substitui a conexão genuína. Precisamos amplificar o acesso a espaços de escuta real, a profissionais qualificados. Vender a ideia de que a empatia, o acolhimento sem julgamento e a capacidade de construir vínculos profundos são incomparavelmente melhores do que qualquer algoritmo. Buscar um profissional qualificado e preparado para um processo terapêutico não é mais um luxo e sim uma necessidade.

A IA pode até ser uma porta de entrada, uma ferramenta para “amenizar o sofrimento” inicial. Mas o valor do ser humano, da relação de confiança e da escuta ativa é insubstituível. A profundidade e a sustentação que um profissional humano pode oferecer vêm da nossa capacidade de compreender nuances, de nos conectar em um nível que vai além dos dados e dos algoritmos. Nos conectarmos em nível de alma e de energia, nunca, nenhuma IA conseguirá.

O desafio é grande e a urgência por discutir e delimitar os limites éticos para o crescimento da IA nesse campo é evidente. Mas se a demanda é por “terapia” e conversas terapêuticas, vamos oferecer o que temos de melhor: humanidade.

Cezar Almeida – Escritor, economista e especialista em liderança, gestão de pessoas e experiência do cliente.

P.S.: Essa discussão sobre a busca por propósito e o papel da humanidade me lembra muito a jornada do meu livro, “Líder Trekking, O Executivo e o Professor no Vale do Pati”. Nele, um CEO embarca em uma aventura real em busca de si e de conexões genuínas. Saiba mais sobre a obra em: https://www.amazon.com.br/Líder-Trekking-Executivo-Professor-Vale/dp/6580549033.